“Eu
abri ao meu amado, mas já o meu amado se tinha se retirado, e
se tinha ido; a minha alma se derreteu quando antes ele me falou; busquei-o
e não o achei. Chamei-o, mas ele não me respondeu”.
(Cantares 5:6).
Não consigo imaginar nada pior na terra do que um homem perder
o senso da presença de CRISTO. Observamos esse quadro quando
lemos a história de Salomão, e nos perguntamos como
um homem, que fora tão abençoado por DEUS, pôde
trocar seu bom nome na história, seu reino e o seu lugar em
DEUS pelas paixões incontroláveis e solicitações
mundanas.
O reinado de Salomão começou num esplendor de glória.
Ele sucedeu o rei Davi, seu pai, um homem que tivera um coração
segundo o coração de DEUS e que enfrentara perversas
perseguições de Saul. E como aconteceu com Saul, a vida
de Salomão terminou num anticlímax. O curioso como os
três primeiros reis de Israel, Saul, Davi e Salomão,
viveram, durante parte do reinado, sob a sombra da desobediência
e da rebelião a DEUS. Ambos beberam a bebida espiritual de
CRISTO e comeram do Seu alimento. Ambos nutriram, em algum instante
de suas caminhadas, um desejo de erguer um altar ao Senhor ou de trazer
o Amado às suas câmaras. Ambos, sobretudo, sentiram o
mover do Espírito Santo em suas vidas e ouviram a voz de DEUS
dizendo: “levanta-te, amado meu, e vem...”. Mas dos três,
apenas um conseguiu voltar à sensatez espiritual, pondo um
basta à sensualidade e às concessões dentro do
próprio ministério. Esse foi Davi. Os outros dois, Saul
e Salomão, queriam viver o melhor de dois mundos: de suas cobiças
e de DEUS. O Amado dizia: “Vem!”, mas seus corações
não eram de todo fiéis ao Senhor. Quero mostrar o que
acontece ao homem quando este deixa passar o chamamento de DEUS para
sua vida. E quero citar o exemplo de Salomão, cuja lição
provoca um temor e um tremor na raiz de nossa espiritualidade. DEUS
quer nos dizer algo nessa tragédia. Observe como um homem,
chamado por DEUS para uma grande missão, um alto degrau, cai
firme às profundezas da vergonha e da derrota.
Como disse anteriormente, Salomão foi um homem notável
e bom. Veja alguns traços importantes desse rei: 1) cresceu
sob a sábia orientação espiritual de Natã,
o profeta, que lhe deu o apelido de Jedidias (“querido de DEUS”):
“e porque o Senhor o amou, mandou, por intermédio do
profeta Natã, dar-lhe o nome de Jedidias” (2 Samuel 12:25).
2) A sua presença no reinado encheu de alegria toda a cidade;
3) sua escolha de sabedoria foi uma decisão divina (1 Reis
3); 4) seu gabinete foi maior que o de qualquer rei de Israel (1 Reis
4); 5) projetou, investiu e construiu um templo formoso. O culto de
inauguração foi cheio de sublimidade; 6) A riqueza e
a glória do seu reino fizeram com que a rainha de Sabá
ficasse como fora de si: “a comida de sua mesa, o assentar de
seus oficiais, o serviço de seus criados e os trajes deles,
seus copeiros, e os holocaustos que ele oferecia na casa do Senhor,
ficou fora de si, e disse ao rei: foi verdade a palavra que ouvi na
minha terra, acerca dos teus feitos e da tua sabedoria” (1 Reis
10:5-6); 7) sua beleza pessoal é descrita no Salmo 45; 8) compareceu
aos banquetes do Senhor; 9) tocou a Rosa de Sarom e viu o Lírio
dos Vales; 10) sentiu a mão de CRISTO sob sua cabeça.
Salomão recebeu um chamado muito especial: o de livrar a vinha
das raposinhas que estragavam as videiras. Foi chamado para ser apascentado,
nutrido, aprofundado, um chamado para os pastos verdejantes: “o
meu amado é meu, e eu sou dele. Ele apascenta o seu rebanho
entre os lírios” (Cantares 2:16). Um chamado para uma
posição especial: “Volta, meu amado, e faze-te
semelhante ao gamo ou ao filho das gazelas sobre os montes escabrosos”
(2:17). O que fez Salomão ao ouvir esse chamado especial de
DEUS? Abandonou as pompas, as riquezas, o luxo, o glamour, a vaidade,
o egocentrismo? Será que subiu às montanhas para obedecer
ao seu Amado?
Havia um grande problema, uma enorme barreira que o impedia de renunciar
a tudo e atender a Voz do seu Amado: a cobiça. Salomão
quanto mais tinha, mais queria. Isso é o que ocorre exatamente
hoje, muitos séculos após, com homens que receberam
um chamado especial por parte de JESUS para cuidar bem do Seu rebanho
aqui na terra, e não só cresceram materialmente, em
luxo e em riqueza, mas em cobiça. Estão com olhos fitos
na imprensa, no que vão dizer deles, nas adjetivações
e na grandeza egocêntrica que cegam os olhos e tapam os ouvidos
à sublimidade com JESUS. Mas de DEUS não se zomba. Não
importa se o homem foi o mais notável neste mundo, se foi o
mais elogiado, o mais bem sucedido. DEUS quer um coração
totalmente fiel. Essa virtude ELE não encontrou em Salomão.
Por essa razão, o Espírito Santo se afastou dele e DEUS
incitou inimigos para assediá-lo. DEUS, de amigo, tornou-se
o seu adversário. Se os homens de DEUS não se humilham
e não abandonam a carne e o mundo, não deixam de lado
a “politiquez religiosa” e voltam a pregar a CRISTO com
coerência de vida, DEUS utiliza-se de Seu direito de usar satanás
contra eles. Em algum lugar, esses homens deixaram escapar algo: ficaram
muito ocupados, famosos, autocentralizados e não puderam ouvir
o alto chamado de DEUS às suas vidas dizendo: “Vem, filho
amado!”. Foi lamentável como Salomão perdeu a
visão de DEUS. E não é de se admirar que a solidão
e o desespero tenham tomado conta de sua vida. Se nossos adversários
agora nos oprimem, não adianta dizer que o diabo está
zangado conosco quando DEUS é que está.
Salomão foi o homem mais sábio que o mundo já
conheceu. Foi um pregador extraordinário também. Era
um construtor por excelência: construiu o maior templo do mundo,
prédios magníficos, tanques, vinhas, jardins. Construiu
para si um palácio maravilhoso, onde projetou um recanto de
verão incomum com as flores do Líbano. Possuía
1.400 carruagens e 12.000 cavaleiros além de grandes proporções
de gado, carneiros e cavalos exóticos. Mas a Palavra de DEUS
afirma: “o que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se
perder a sua alma? Ou que dará o homem em troca de sua alma?”
(Mateus 16:26). Parece que foi exatamente isso que Salomão
estava vivendo.
O tempo está passando... Haverá um dia em que os homens
não ouvirão mais o chamado de DEUS. Haverá o
dia em que estaremos frente a frente com o PAI, cada um, prestando
contas de si. Nesse dia, eu quero estar diante do Trono de DEUS e
receber dELE grande galardão por ter obedecido ao Seu chamado.
Não quero ficar diante do Trono com CRISTO ouvindo ELE dizer
“eu chamei, mas você me recusou”. Que tristeza!
Que terrível! Imagine um homem ser julgado por desleixo, leviandade,
apatia ou omissão... Derramemo-nos, então, na Sua Santa
e Gloriosa presença quando ouvirmos o Seu chamado, enquanto
ainda há luz do sol para abrasar a nossa vida...
FERNANDO CÉSAR – Escritor, autor dos livros “Não
Mude de religião: mude de vida!”, “Pódio
da Graça” e “Antes que a Luz do Sol escureça”.
Também é líder do Ministério Interdenominacional
Recuperando Famílias para Cristo.
www.fernandocesar.com