| (publicado
na Folha de São Paulo e no New York Times)
| À
primeira vista, o anúncio de TV da campanha do Partido Republicano
à presidência sobre prescrição de remédios parece uma propaganda
negativa comum. O narrador começa elogiando a proposta do
candidato do partido, George W. Bush, e criticando o plano
de Al Gore, candidato do Partido Democrata. Fragmentos da
frase "burocratas decidem" - ridicularizando a proposta
de Gore - começam então a dançar na tela. Mas então, observando
com atenção, é possível ver outra coisa. A palavra "rats"
(ratos), fragmento da palavra "bureaucrats" (burocratas)
aparece rapidamente em um quadro. E embora a imagem dure
apenas 1/30 de segundo, a palavra aparece em grandes letras
brancas, maiores que qualquer outra no anúncio.Alex Castellanos,
que produziu o anúncio de 30 segundos, afirma que o uso
da palavra foi "acidental". "Não jogamos desta forma. Não
sou tão esperto", diz. Mas vários publicitários republicanos
e democratas, assim como acadêmicos independentes, disseram
que o fato indica uma tentativa subliminar dos republicanos
para desacreditar Gore. |
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| Após
ser avisado sobre a palavra, o consultor-chefe de mídia de Bush,
Mark McKinnon, disse que o anúncio deveria ser corrigido porque
ele "certamente pode dar aos repórteres ou a qualquer outro razão
para chamar a atenção". Mas, após rever o anúncio, ele mudou seus
comentários. "Ratos não é uma mensagem", disse. "Plano ruim ou
aposentados perdem poderiam ser. Mas ratos? Acabei de ver o anúncio
cinco vezes seguidas. Por mais que observasse, não pude ver ratos."
Quase todos os profissionais de propaganda entrevistados disseram
que, pela forma como os vídeos são montados quadro a quadro, seria
virtualmente impossível que os produtores não soubessem que a
palavra estava aparecendo. "Não existe a possibilidade de que
Alex Castellanos tenha feito alguma coisa por acidente", disse
Greg Stevens, um veterano publicitário republicano. Ray Strother,
presidente da Associação Americana de Consultores Políticos e
um antigo publicitário democrata, disse: "Quando você está em
uma campanha presidencial, você deve ficar muito, muito atento
a todos os quadros de sua propaganda. Você fica observando até
as palavras que aparecem no boné de beisebol que as pessoas estão
usando". Bobby Baker, chefe do escritório de programação política
na Comissão Federal de Comunicações, disse que, se a palavra foi
inserida deliberadamente, refletiria um "comportamento inconsequente".
Ele diz que a comissão não veta propaganda subliminar, mas afirma
que "há recomendações indicando que ela é inerentemente enganosa
e contrária ao interesse público". O partido gastou cerca de US$
2,5 milhões (cerca de R$ 4,6 milhões) no anúncio, que ainda está
sendo veiculado em 33 Estados. Ao todo, o anúncio foi ao ar cerca
de 4.000 vezes. |
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